AÇÃO POLICIAL NA “CRACOLÂNDIA” COMO MEDIDA PARA LIBERTAÇÃO DOS DEPENDENTES DE DROGAS
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| Cracolândia |
Temos, nas últimas semanas e por meio da imprensa, acompanhado a ação da Polícia Militar na região central de São Paulo, numa área conhecida como “cracolândia”.
Recebeu esse apelido, tendo em vista a grande concentração de pessoas, das mais diversas origens, gêneros e idade, todos dependentes de drogas.
Filmagens, veiculadas pela mídia, retratavam o que se via somente em filmes como “a volta dos mortos vivos” e o clip da música “THRILLER”, de Michel Jackson.
Essas duas produções artísticas mostravam pessoas mortas caminhando sem orientação ou destino. Pessoas sem alma e sem vontade própria.
O que as cenas reais mostravam eram pessoas que se aglomeravam no meio das ruas, lutando, desesperadamente, por uma pedra de Crack e, quando conseguiam, buscavam um canto próximo qualquer para consumi-lo, não se importando com as pessoas que passavam pelas ruas e nem mesmo com a passagem das viaturas policiais.
Sem contar a indignação da população e dos comerciantes locais, questões surgem a respeito do comportamento humano.
Pessoas que outrora recatadas, hoje não se importam mais com o que os outros pensam e nem com os erros cometidos diante das autoridades policiais.
Esse comportamento só tem uma explicação: A DEPENDÊNCIA DAS DROGAS.
A dependência não é meramente um vício, mas algo que, comprovadamente, tira da pessoa a sua dignidade, seu amor próprio, sua vontade e o controle de suas ações.
Talvez por isso é que muitos se afastam de suas famílias, buscando tirar das mesmas o peso de conviver com seus erros, ou até, pondo fim a seus sofrimentos, praticam suicídio.
A dependência é o fim. Todo o fim tem um começo e esse se inicia com as más amizades.
Os maus amigos são aqueles que, diante de situações alegres ou tristes, oferecem um produto que, segundo eles, é eficaz para o relaxamento e o que fará com que se torne mais alegre ou que faça esquecer dos problemas que enfrenta. São os mesmos que indicam o local e a pessoa (traficante) que, futuramente, venderá o produto.
Acreditando na “amizade” e em sua resistência à droga, a pessoa experimenta. A experiência torna-se um costume e o costume leva, inevitavelmente, ao vício. O vício transforma as pessoas em verdadeiros zumbis. Pessoas sem alma, sem vontade e sem o controle de suas ações.
A ação da Polícia Militar na “cracolândia” rendeu vários elogios por parte da população e comerciantes, porém críticas de alguns políticos, de alguns outros órgãos públicos e de órgãos não governamentais.
Independente do resultado, a ação deu notoriedade àquilo que estava sendo incorporado à paisagem da região central da cidade. Estavam perdendo a capacidade de indignação. E isso foi resgatado com a ação que revelou ao público os reais problemas enfrentados pelos dependentes das drogas, ou seja, a sujeição a ambientes insalubres e à violência física e/ou moral impostas pelos traficantes.
Hoje, muitos dos frequentadores decidiram sair das ruas, recolhendo-se em albergues ou retornando a seus lares, bem como aceitaram se submeter a tratamento para controle da dependência.
Em que pese haja, ainda, muitos dependentes na região da “cracolândia”, um duro golpe foi dado nos criminosos que tem no tráfico seu sustento, bem como medidas de libertação contra a dependência e contra os traficantes foram iniciadas, possibilitando àquelas pessoas, acometidas por essa grave doença, a oportunidade de retornar a uma vida livre, saudável, tranquila e segura.





