Desde
pequeno, ouço a estória de um viajante que trafegava com sua carroça, de noite,
por uma estrada afastada e longe da cidade, quando repentinamente surgiu uma
mulher que, desesperadamente, pedia ajuda a seu filho, um bebê de um ano de
idade, que, segundo a mesma, estava muito doente.
O
viajante, diante do desespero da mulher, não pensou duas vezes em acompanhá-la
até sua casa e socorrer o filho, pedindo então que subisse em sua carroça.
Após
trafegar por um tempo, o viajante pode observar, ao longe, um ponto de luz,
que, segundo a mulher, tratava-se de sua casa, um local humilde, tendo um dos
cômodos iluminado por uma lamparina.
Ao
parar a carroça defronte a casa, cujas paredes eram forradas por barro e sapê,
o viajante pode ouvir um som fraco que indicava o choro de uma criança, som
esse que vinha de um dos cômodos do casebre.
Não
teve dúvidas. Adentrou a residência e dirigiu-se ao cômodo iluminado, quando se
deparou com a criança deitada sob os braços de uma mulher desfalecida e cujo
rosto não conseguia ver.
Quem
é? Perguntou o viajante à mulher que havia pedido socorro, quando, em não tendo
a resposta, virou-se para trás e não mais a viu.
Aquela
cena o deixou estarrecido, contudo, diante do choro da criança, o mesmo a pegou
em seus braços, momento em que, mais próximo da mulher, já sem vida, percebeu
que se tratava da mesma que havia pedido a ajuda para ele. Era a mãe da
criança.
Conta
a estória que, preocupada com a saúde e o destino de seu filho, a mãe, a qual
falecera de doença e que fisicamente não mais podia cuidar do mesmo, numa
demonstração de amor incondicional a seu bebê, em espírito, buscou ajuda.
Quando
ainda criança, eu não entendia o porquê da minha mãe, recém-formada
cabelereira, trabalhava até tão tarde e, ao mesmo tempo, vendia ovos trincados.
Mais
tarde fui entender que fazia isso por amor incondicional aos filhos, a quem,
com muito custo, deu-lhes aquilo que seus avós não puderam dar a mesma, ou
seja, ensino e oportunidade de carreira.
Me
refiro à mesma mãe que, em comemoração a seu dia, quando recebia um espremedor
de laranja manual como presente, aquele comprado hoje em lojas de RS 1,99,
demonstrava uma alegria imensa. A mesma alegria de como se tivesse ganhado na
loteria.
Mais
tarde fui entender que se tratava da alegria e satisfação de ter, embora com
singelo presente, sua dedicação reconhecida pelos filhos.
Amor
incondicional.
Talvez
é o que explique a mãe em decidir abdicar de sua profissão para cuidar de seus
filhos;
Talvez
é o que explique a mãe, muito embora com dor no coração, em deixar seus
pequenos filhos em creche ou com parentes para enfrentar um dia duro de
trabalho.
Talvez
é o que explique a mãe, depois de uma jornada dura de trabalho, com um singelo
sorriso estampado no rosto, se presta a cozinhar para seus filhos e marido, bem
como fazer a limpeza da casa.
Talvez
é o que explique a mãe abdicar de seus sonhos em troca dos sonhos de seus
filhos.
Talvez
é o que explique a mãe acordar muito cedo para preparar o café da manhã para
seus entes queridos.
Talvez
é o que explique a mãe, buscando forças em seu interior, enfrentar criminosos
na defesa de seus filhos.
Talvez
é o que explique a mãe, em visita a seu filho preso, se submeter ao
constrangimento de uma revista pessoal intima antes de entrar no
estabelecimento.
Talvez
é o que explique todos os atos de atenção, dedicação, superação, coragem,
perseverança, lealdade e cumplicidade.
O
interessante é que, diante de tamanho sacrifício demonstrado por esse ser
maravilhoso, o que ela espera não é um prêmio em dinheiro, mas sim um ato,
mesmo que singelo, de reconhecimento. É o amor correspondido.
Bens
materiais, como uma casa, são importantes para o conforto daquela que, por
anos, cuidou dos filhos, contudo não é o fundamental. O importante é amor
correspondido.
Nesse
último final de semana, dia 13 de maio, muitas famílias se juntaram para
comemorar o dia das mães, data em que, além de enaltecê-las, nos leva a
profundas reflexões sobre a sua importância nas nossas vidas.
Infelizmente,
para alguns, trata-se de mais uma data que lhes dá a oportunidade de ingerir
muita bebida alcoólica, o que lhes tira o discernimento e a concentração,
ocasionando brigas e acidentes graves de trânsito. Ao invés de trazer
felicidade, o que eles, filhos, trazem às suas mães é sofrimento.
O
mesmo sofrimento causado por aqueles filhos que, não entendendo a dedicação de
seus pais, decidem trilhar caminhos mais fáceis na vida. O de retirar dos
outros o que não é seu. Decidem praticar crimes.
Perguntamos
para algumas pessoas o que elas fariam se hoje fosse o último dia de suas
vidas. Todas foram unânimes em dizer que dariam um forte abraço e beijo,
seguidos de palavras de amor e carinho, em seus entes queridos, sobremaneira
nas suas mães.
Será
que teremos que esperar o último dia de nossas vidas para quebrar as barreiras
da arrogância e da insensibilidade para abrir nossos corações para com as
nossas mães?
Acredito
que não!
Acredito
que tudo isso possa ser feito todos os dias e, em especial, Hoje!
Você,
cara amiga e caro amigo, após ler este artigo, dê um forte abraço e um beijo
naquela que dedicou e dedica sua vida a você, a mamãe de sangue, a mamãe
adotiva, a mamãe titia, a mamãe vovó, enfim em todas essas maravilhosas
mulheres importantes em sua vida. Se não for possível ser feito isso
fisicamente, faça-o em espírito. Eleve seus pensamentos a DEUS e agradeça à
querida mamãe por tudo que ela fez e que faz por você.
Pense
nisso e seja Feliz!


