sábado, 4 de maio de 2013

PITÁGORAS ESTAVA CERTO: COM A AÇÃO DE HOJE, NÃO PRECISAMOS LAMENTAR OS ERROS DE AMANHÃ




Um Mil novecentos de Noventa e um, por volta das 10:00 Hs, como sempre, adentrava eu no prédio da gazeta, localizada na Avenida Paulista, subindo as escadarias e atingindo o segundo pavimento da torre de transmissão. Que visão maravilhosa! Que brisa refrescante!

A Avenida Paulista, que outrora ostentava suntuosos casarões dos Barões do café, era dona de uma fama inigualável “o coração financeiro da capital paulista”.

Visão longínqua, prédios imponentes, veículos e pessoas parecendo formigas enfileiradas transportando seus alimentos para o formigueiro...

Espera ai! 

Alguma coisa estava errada naquele cenário.

Três jovens, dois meninos e uma menina, sentados no terraço de um prédio inacessível por vias normais, pois o local não se dava ao lazer, mas sim para eventuais manutenções nas telhas e na caixa d´água.

Estavam compartilhando algo que parecia um cigarro.

Compartilhando um cigarro? Mas à época tratava-se de um artigo barato e seu valor e acesso não exigia tal conduta. Se fosse cigarro, todos estariam fumando o seu.

Parecia algo que possuíam em pequena quantidade e dificil de se obter. Isso devido à fiscalização da Polícia.

Pelo sim ou pelo não, com a finalidade de tirar tamanha dúvida, fomos, eu e os policiais que me acompanhavam, até o mencionado prédio, onde coincidentemente, ao atingirmos o último andar do imóvel, nos deparamos com os três adolescentes descendo uma escada estreita e fixada na parede.

Ao constatarem nossas presenças, seus comportamentos logo denunciaram a atitude que sabiam ser errada.

Jovens bem afeiçoados, bem vestidos e moradores de um prédio localizado em área nobre de São Paulo.

Confirmada estava as minhas suspeitas. Todos compartilharam um cigarro recheado de maconha, vulgarmente conhecido como “baseado” ou “paranga”.

Muito embora tivessem consumido tudo, o cheiro característico da droga, impregnado no cabelo, nas roupas e, principalmente, nas mãos confirmavam o contato íntimo com aquilo que, no inicio, alguns dizem ser prazeroso, contudo, no futuro, acaba em sofrimento para o usuário e para a sua família.

Alguns de vocês, queridas e queridos leitores, podem ter pensado: “que situação chocante!”. Mas isso não me chocou, pois, desde aquela época, no cumprimento da atividade policial não era raro encontrar jovens portando ou consumindo drogas.

Ao invés disso, confesso que fiquei surpreso e chocado, verdadeiramente chocado, com a conduta de um dos pais dos jovens ali presentes. Ao invés de questionar o seu filho sobre tal conduta, o pai questionou a atitude dos policiais em estarem adentrando ao prédio sem a autorização dos moradores.

Por que o pai, diante do erro do filho, agiu daquela forma?

Com essa pergunta e após o pai entender que a Polícia poderia adentrar nas áreas comuns, como hall e corredores, é que sai daquele lugar.

Só alguns anos atrás, quando assistia a um programa de entrevista, ouvi do entrevistado, um renomado médico psiquiatra e autor de vários livros sobre educação famíliar e escolar, de que o pai que adota tal postura, o de defender seu filho quando comete atitudes erradas, nada mais esta fazendo do que compensar a sua ausência.

Verdade! Ali estava a explicação da conduta que por tantos anos me incomodou.

Pais ausentes, conscientes ou não, depois do crescimento e amadurecimento dos seus filhos, sem a sua participação, tinham receio de corrigi-los e, em compensação, buscando atrair a sua confiança, equivocadamente, os protegiam dos erros cometidos o que, na infância, por meio de uma boa orientação, poderiam ser evitados.

Não sei o que ocorreu com os jovens com quem tive contato no ano de 1991.

Espero sinceramente que não tenham se enveredado para o uso das drogas, o que, como já disse, resultaria em profundo sofrimento e tristeza para eles. Espero sinceramente que aquele pai, que ao invés de questionar seu filho, criticou a conduta dos policiais, não esteja sofrendo com o vício, incurável, do seu filho. Espero sinceramente que casos como a de uma senhora, fato ocorrido em São Paulo, degolada por seu neto, o qual estava sob efeito de drogas, não se repitam.

Espero sinceramente que vocês, queridas mamães e queridos papais, não tenham o receio de corrigir seus filhos na Infância e na adolescência.

Participem do crescimento corporal bem como do amadurecimento intelectual deles. Faça com que a presença de vocês fique registrado de maneira feliz nas mentes daqueles que no futuro trarão as respostas positivas das dúvidas de hoje.

Comemorem, em sua essência, o dia dos pais e, o que é mais atual, o dia das mães.

Enfim, utilizando de uma frase célebre antiga, porém plenamente aplicável na atualidade, “Eduquem seus filhos hoje para que não tenhamos que punir os adultos de amanhã” ( Pitágoras).

Pensem nisso e sejam Felizes!



Capitão Felício Kamiyama