Não entendi o que aconteceu com aquele menino
para que se comportasse daquele jeito.
Jamais poderia imaginar que uma pessoa tão
dedicada aos estudos e trabalhadora poderia praticar tamanha atrocidade.
Meu Deus! Por que ele foi fazer isso!
Essas são frases emitidas por pessoas,
geralmente quando tomam conhecimento de
um ato violento que, por vezes, causa até a morte, cometido por cidadãos
conhecidamente pacatos e tranquilos.
Assim ocorreu numa noite, quando um grupo de amigos
decidiram sair e ir até uma danceteria.
No local, todos estavam acompanhados por suas
namoradas e se divertiam muito. Bebidas e cigarros faziam parte do ambiente.
Enquanto os namorados conversavam, as moças
decidiram ir até o banheiro, onde, no caminho, se depararam com dois rapazes
que dirigiram gracejos para uma delas.
Ofendida com o atrevimento deles, no retorno,
a mesma relatou o episódio ao seu namorado, o qual foi tirar “satisfação” com
os importunadores.
Foi o que bastou para iniciar uma briga que
envolveu todos os seus amigos, os quais, num total de dez, agrediram violentamente
os dois infelizes.
O resultado: um deles teve traumatismo
craniano, pois, quando já caído ao solo e inconsciente, teve sua cabeça várias
vezes atingida por chutes e ponta-pés. O outro teve várias costelas quebradas e
só não teve ferimentos mais graves porque conseguiu fugir do local.
Graves são as consequências de tais atos que
resultam até em morte, como no caso de um grupo, também, de amigos que se
juntaram para ir ao Estádio e assistir a uma partida de futebol.
Tratava-se de um jogo que envolvia dois
grandes times que tinham torcidas fiéis e fervorosas, grupos esses que, pelo
amor ao time, ofendiam e até agrediam.
Não era o caso dos amigos, pois esse queriam
simplesmente experimentar a sensação de assistir um jogo ao vivo.
E assim o fizeram.
Junto com a imensa torcida presente, gritaram
para incentivar o time, mas também xingaram o arbitro e a torcida adversária.
Provocações, como sempre, ocorreram e desafios foram firmados.
Com o término do evento, eufóricos pela
vitória do time, os amigos se dirigiram para a estação férrea, onde se
depararam com torcedores do time adversário.
Foi o que bastou para torcedores do time
perdedor iniciassem insultos ao grupo de amigos, os quais passaram a ser
agredidos fisicamente.
Torcedores do time vencedor que constataram a
contenda, talvez munidos do sentimento de união que a camiseta do time trazia,
partiram em defesa dos amigos, dando uma maior proporção à briga generalizada.
Socos, ponta pés, chutes e golpes,
potencializados por instrumentos ali disponíveis, como barra de ferro, pedaços
de cadeira e cabos de madeira, foram desferidos.
Resultado: Várias pessoas feridas e duas
mortes causadas por traumatismo craniano.
Identificados por filmagens realizadas por
meio de câmeras de segurança, os autores dos CRIMES, não raras vezes, ao verem
a filmagem, se surpreendem e não se reconhecem naquela pessoa que foi filmada
desferindo golpes covardes numa pessoa já caída e desmaiada.
Choros
e lamentações por terem praticado tamanha atrocidade, comprometendo a vida e a
saúde de seus semelhantes, bem como o seu futuro como cidadão, costumam
ocorrer.
Mas já é tarde!
O fato
correu e não podemos voltar no tempo.
Os dois casos expostos retratam brigas generalizadas
que tiveram desfechos trágicos, fatos esses que, se envolvesse a insanidade de
apenas duas pessoas, não tivesse ocorrido pelo impedimento de outras conduzidas
pela razão ou, envolvendo várias pessoas, não tivesse a adesão do infeliz
agressor, o qual, consciente da desnecessidade da briga e pelo perigo que
poderia causar, decidira em não participar da contenda.
O que quero dizer é que uma é pessoa,
detentora de uma personalidade pacata e tranquila pode ser envolvida, por
diversas razões e situações, a aderir à personalidade de um grupo, às vezes violento
e insano, como nos casos mencionados.
A pessoa passa a praticar atos que, sozinha,
não faria.
Como já disse, não conseguimos voltar no
tempo, mas podemos, por essas reflexões, evitar que situações iguais ocorram.
Por isso, querida leitora e querido leitor,
além de tomarmos cuidado ao decidirmos
com quem vamos sair e o local para onde iremos, não permitamos que a uma
conduta errada coletiva influencie nas nossas atitudes individuais.
Pense nisso e seja Feliz!
Capitão
Felício Kamiyama

