Pelo título,
muitos de vocês, queridas leitoras e queridos leitores, pensaram eu que fosse
tecer comentários às várias pessoas que, no nosso país, são contratados
funcionários públicos e não comparecem para o trabalho, o que, além de imoral,
causa sérios prejuízos aos cofres públicos.
Não...não é delas
que vou falar.
Muito ao
contrário das posturas daqueles que ganham muito e não trabalham, quero tecer
comentários àquelas pessoas que trabalham muito, mas muito mesmo, e recebem pouco.
Pessoas que
possuem os mesmos afazeres e responsabilidades que todos nós, pois são avôs,
avós, pais, mães e filhos, enfim são responsáveis por suas famílias.
Certa vez,
caminhando pela cidade, uma cena me chamou a atenção.
Um homem,
após ter consumido o último cigarro, verificando que próximo a ele havia uma
senhora cuja profissão é de varredora de rua, também conhecida carinhosamente
como “MARGARIDA”, mesmo havendo lixeiras instaladas ao longo da via, como,
também, mesmo estando perto do carrinho de resíduos utilizado pela mesma, jogou
a embalagem do produto no chão.
Aquela
senhora, cujo rosto não podia ver, pois coberto estava por um chapéu de palha
de abas largas, ao verificar a conduta daquela pessoa, mesmo tendo ela já
varrido aquele local, retornou e, sem alterar seu comportamento,
tranquilamente, com sua "pazinha", recolheu o maço de cigarro amassado.
Diante
daquela cena, com o propósito de me solidarizar e parabenizá-la por seu ato,
procurei me aproximar da mesma, ocasião em que, por surpresa, tratava-se de uma
pessoa conhecida.
Abraços e
beijos foram os atos que externaram tamanha alegria de ambos pelo reencontro.
Sem
interromper seu trabalho, conversamos muito sobre o passado e a situação da
minha família e de cada um dos seus filhos.
Viúva ainda
jovem e com três filhos ainda adolescentes, aos 30 anos, teve que largar seus
afazeres de casa e procurar um reforço no sustento de sua família. Com pouca
instrução, conseguiu emprego como varredora de rua, profissão essa que, com
orgulho, segue até hoje.
Mãe sempre
atenta e preocupada com o comportamento e futuro dos seus filhos, além da
atividade registrada em carteira, fazia os chamados “Bicos” de limpeza em
restaurantes, casas de família e Buffet.
Pesados,
segundo ela, foram os anos que passou com o recente falecimento do seu marido,
porém, graças ao empenho dela e da colaboração dos seus três filhos, conseguiu
sua casa própria e, o que é mais importante, sem dívidas.
Quanto aos
seus filhos, estão todos eles formados e trabalhando, a ponto de pedirem para
que ela parasse com suas atividades e, como um desejo de todos os filhos gratos
a seus pais, descansar.
Os apelos
dos filhos, muito embora recebidos com carinho, não se sobrepuseram ao objetivo
dessa maravilhosa senhora que esta prestes a se aposentar. Muito embora com uma idade avançada, tem suas
aspirações e seus sonhos.
Voltando ao
assunto que me fez aproximar da mesma, comentando com ela sobre a postura de
indiferença daquele homem, a senhora me disse que aquela atitude não é a que mais
a “machuca” no dia a dia.
O que mais ofende e fere, segunda a mesma, o íntimo daqueles que
desempenham a profissão dela é o fato das pessoas não as enxergarem.
Não existe
um “bom dia” ou um “com licença” ou até um “bom serviço para você”.
Como um
obstáculo nas vias, as pessoas, sem olhar para os varredores de rua, desviam
deles e seguem seu tão apertado e atribulado compromisso.
São pessoas
e não obstáculos que estão nas ruas. São trabalhadores que, com a sua atividade,
procuram manter as vias e praças limpas e, dessa forma, melhorar a nossa qualidade de vida.
São pessoas
que possuem sentimentos e que carregam, em sua trajetória de vida, uma história
de luta, perseverança e vitória.
Por isso,
como todos os empregados domésticos e funcionários braçais, devem ser
consideradas e merecedoras do nosso mais profundo respeito.
Pensem nisso
e sejam Felizes.
Capitão
Felício Kamiyama

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