quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O PERIGO DE UMA PERSONALIDADE COLETIVA



Não entendi o que aconteceu com aquele menino para que se comportasse daquele jeito.

Jamais poderia imaginar que uma pessoa tão dedicada aos estudos e trabalhadora poderia praticar tamanha atrocidade.

Meu Deus! Por que ele foi fazer isso!

Essas são frases emitidas por pessoas, geralmente  quando tomam conhecimento de um ato violento que, por vezes, causa até a morte, cometido por cidadãos conhecidamente pacatos e tranquilos.

Assim ocorreu numa noite, quando um grupo de amigos decidiram sair  e ir até uma danceteria.

No local, todos estavam acompanhados por suas namoradas e se divertiam muito. Bebidas e cigarros faziam parte do ambiente.
Enquanto os namorados conversavam, as moças decidiram ir até o banheiro, onde, no caminho, se depararam com dois rapazes que dirigiram gracejos para uma delas.

Ofendida com o atrevimento deles, no retorno, a mesma relatou o episódio ao seu namorado, o qual foi tirar “satisfação” com os importunadores.

Foi o que bastou para iniciar uma briga que envolveu todos os seus amigos, os quais, num total de dez, agrediram violentamente os dois infelizes.

O resultado: um deles teve traumatismo craniano, pois, quando já caído ao solo e inconsciente, teve sua cabeça várias vezes atingida por chutes e ponta-pés. O outro teve várias costelas quebradas e só não teve ferimentos mais graves porque conseguiu fugir do local.

Graves são as consequências de tais atos que resultam até em morte, como no caso de um grupo, também, de amigos que se juntaram para ir ao Estádio e assistir a uma partida de futebol.
Tratava-se de um jogo que envolvia dois grandes times que tinham torcidas fiéis e fervorosas, grupos esses que, pelo amor ao time, ofendiam e até agrediam.

Não era o caso dos amigos, pois esse queriam simplesmente experimentar a sensação de assistir um jogo ao vivo.

E assim o fizeram.

Junto com a imensa torcida presente, gritaram para incentivar o time, mas também xingaram o arbitro e a torcida adversária. Provocações, como sempre, ocorreram e desafios foram firmados.

Com o término do evento, eufóricos pela vitória do time, os amigos se dirigiram para a estação férrea, onde se depararam com torcedores do time adversário.

Foi o que bastou para torcedores do time perdedor iniciassem insultos ao grupo de amigos, os quais passaram a ser agredidos fisicamente.

Torcedores do time vencedor que constataram a contenda, talvez munidos do sentimento de união que a camiseta do time trazia, partiram em defesa dos amigos, dando uma maior proporção à briga generalizada.

Socos, ponta pés, chutes e golpes, potencializados por instrumentos ali disponíveis, como barra de ferro, pedaços de cadeira e cabos de madeira, foram desferidos.

Resultado: Várias pessoas feridas e duas mortes causadas por traumatismo craniano.

Identificados por filmagens realizadas por meio de câmeras de segurança, os autores dos CRIMES, não raras vezes, ao verem a filmagem, se surpreendem e não se reconhecem naquela pessoa que foi filmada desferindo golpes covardes numa pessoa já caída e desmaiada.

 Choros e lamentações por terem praticado tamanha atrocidade, comprometendo a vida e a saúde de seus semelhantes, bem como o seu futuro como cidadão, costumam ocorrer.
Mas já é tarde!

 O fato correu e não podemos voltar no tempo.

Os dois casos expostos retratam brigas generalizadas que tiveram desfechos trágicos, fatos esses que, se envolvesse a insanidade de apenas duas pessoas, não tivesse ocorrido pelo impedimento de outras conduzidas pela razão ou, envolvendo várias pessoas, não tivesse a adesão do infeliz agressor, o qual, consciente da desnecessidade da briga e pelo perigo que poderia causar, decidira em não participar da contenda.

O que quero dizer é que uma é pessoa, detentora de uma personalidade pacata e tranquila pode ser envolvida, por diversas razões e situações, a aderir à personalidade de um grupo, às vezes violento e insano, como nos casos mencionados.

A pessoa passa a praticar atos que, sozinha, não faria.

Como já disse, não conseguimos voltar no tempo, mas podemos, por essas reflexões, evitar que situações iguais ocorram.

Por isso, querida leitora e querido leitor, além de  tomarmos cuidado ao decidirmos com quem vamos sair e o local para onde iremos, não permitamos que a uma conduta errada coletiva influencie nas nossas atitudes individuais.

Pense nisso e seja Feliz!


Capitão Felício Kamiyama

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